Nasce uma mãe nasce uma culpa 730x410 - Nasce um bebê, nasce uma mãe, nasce uma culpa?

Nasce um bebê, nasce uma mãe, nasce uma culpa?

Com esse bebê que nasce, será que nasce uma mãe junto? Do jeito que as dificuldades são apresentadas, faz parecer que a mulher ela é uma pessoa antes e outra depois da maternidade. É claro que a rotina muda radicalmente, mas dizer nasce uma mãe, não é uma ideia que ajuda nos desafios que virão.

Na verdade, essa mãe se constitui no processo ao longo da maternidade. Essa maternidade é feita nos momentos de vivência e aprendizagem. Portanto, podemos dizer que não nasce uma mãe, torna se mãe.

E o que acontece nesses primeiros 3 meses de vida (ou até 6 meses defendido por alguns teóricos) denominado puerpério? É um período de difícil adaptação tanto da mãe quanto do bebê. São experiências novas tanto para o bebê que acabou de chegar no mundo e também para essa mãe que estará lidando com uma rotina totalmente diferente, sem contar a readaptação do corpo após a gravidez.

Quando a mãe chega em casa com o bebê, ela não sabe ao certo o que fazer, logo vem o cansaço, vem as angústias, o bebê demanda atenção, ele vai mamar várias vezes… Isso não acontece de uma forma natural como a gente imagina, é um processo de aprendizagem, essa mãe não nasce junto, ela vai se tornando mãe.

É preciso se conhecer, respeitar o seu tempo para saber o que fazer nesse momento delicado.

Quando se diz que ela precisa aprender, geralmente na gestação, ela vai ao ginecologista, faz o pré-natal, porém, tem um processo que acaba faltando:  como é ser mãe? Geralmente temos modelos da própria mãe, tias, primas que já tem filhos. Porém, pode não ser suficiente para aprender sobre maternidade.

Por volta dos 3 primeiros meses, a mulher costuma sentir o que chamamos de ambiguidade. Ela pensa será que estou grávida mesmo? Sabemos que a gestação é divida em 3 trimestres e em todas essas fases ela vai sentir essa ambiguidade. Começa se questionando se está realmente grávida mesmo, depois muda para: “eu quero ou eu não quero esse bebê?” ou “eu queria mas não era agora”.

E quando o bebê nasce, vem uma serie de situações. Ela se vê limitada em realizar atividades que fazia antes, vai precisar de ajuda na casa, no cuidado do bebê. E é necessário pensar muito bem nessa pessoa que vai ajudar nesse processo. É preciso pensar em pessoas que te sirvam como rede de apoio segura nesse momento. Essa mãe certamente passará por momentos de ambivalência. Ela quer cuidar do seu bebê, mas ela precisa que alguém cuide dele para ela descansar.

Sendo assim, torna-se muito importante ter apoio de confiança. Quando não se tem esse apoio na família, uma rede de apoio profissional se apresenta como uma possibilidade viável. Um exemplo é o profissional de psicologia, que se apresenta como apoio nesse momento. Ele vai ouvir e acolher essa mãe, usando aspectos da teoria promovendo o autoconhecimento. Observamos ainda que há uma atenção com a mãe na perspectiva da educação dos filhos, mas não há uma atenção voltada para suas próprias angústias, lembrando que ela, em muitos casos abre mão de muitas coisas na sua vida para exercer essa maternidade.

Por isso ouvimos dizer que nasce uma mãe, nasce uma culpa. Mas de onde vem essa culpa? Pode ser por diversos motivos, dentre eles o que mais se destaca é o social. O que as pessoas que convivem comigo acham ou pensam das atitudes das mães. Como vou cuidar dele, como vou alimentar? Essas pessoas estarão ali, e se você não faz de uma forma que essas pessoas julguem ideal, haverão críticas. E as vezes, a mulher vivencia essa culpa pelo medo da crítica.

Um bom exemplo disso se dá na amamentação. Na simples escolha pela amamentação com leito materno ou com fórmula pode ser motivo de questionamentos. Se você opta pela amamentação com leito materno, alguns dizem: “e quando você voltar a trabalhar, como vai fazer?”. “Você vai dar formula? Leite materno é muito melhor para saúde do bebê” .

Diante disso se ela não consegue amamentar, se sentirá culpada, porque estar usando fórmula. Você não é menos mãe porque precisa dar fórmula para seu filho. Isso é um arranjo que precisa ser feito e elaborado à medida da vivência da maternidade.

Essa culpa não é da própria mãe, ela sente culpa pelo julgamento, pelo olhar do outro. E o que fazer? É preciso acolher esse sentimento de culpa e entender por que está se sentindo culpada. E diante da possibilidade do que os outros estão dizendo não condizer com seu valor, com aquilo que acha certo ou com aquilo que escolheu é que você vai elaborar. Se isso faz parte da sua escolha, se é significativo para você realizar desse jeito, acolha e ame sua escolha. Se está fazendo algo que não quer ou não condiz com seu valor, repense na melhor forma de fazer.

Não precisa carregar essa culpa, é preciso entender de onde vem e por que está incomodando. Isso é um processo de autoconhecimento. Não nascemos nos autoconhecendo, isso é feito através da nossa vivência. Aqui no blog temos um post falando sobre 5 dicas para uma maternidade sem culpa.

E é aí que entra o processo de psicoterapia para ajudar nesse autoconhecimento. Hoje temos uma visão um pouco melhor sobre essa ajuda à gestante. Ouvimos falar com mais frequência sobre o pré-natal psicológico que é o atendimento à essa gestante em consulta terapêutica.

Ela vai ser atendida e acolhida nas suas angústias. Ela vai entender no campo psicológico o que acontece em cada fase da gestação. O que é comum acontecer e também se prepara para o puerpério.

A psicoterapia ajuda a elaborar e criar estratégias para lidar com esse período, consequentemente, passar por esse período de forma saudável.

De acordo com a pesquisa “O Mito da Mãe Exclusiva e seu Impacto na Depressão Pós-Parto” feita pela Dra. Alessandra Arrais, mulheres que são acompanhadas durante a gestação tem menos chance de desenvolver depressão pós-parto. E esse assunto é muito sério! Não é uma frescura ou bobagem, precisa ser avaliado.

Existe um poema que diz: “ser mãe é padecer no paraíso”. Não precisa ser dessa forma. É uma tarefa difícil, precisa de muita dedicação e atenção, mas você pode vivenciar e se deliciar desse paraíso.  

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