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Por que a maternidade assusta?

Como assim “maternidade assusta?” Quando vemos uma amiga ou alguém da família com um bebê, vemos aquela coisinha fofa e você pensa: Eu quero um bebê fofinho para mim também. E quando você está com seu bebê, você percebe que não é todo tempo aquela fofura que vemos nos braços dos pais. Mas por quê?

Na verdade, o que vemos é apenas um fragmento de todo um universo que é cuidar de um bebê. Muitas mães se deparam com uma angústia imensa dos primeiros momentos de cuidado e pensam: Onde eu estava com a cabeça quando inventei esse negócio de ser mãe?

Historicamente, e dentro do contexto bíblico, a maternidade é vista como uma benção e a infertilidade como uma maldição, e as vezes essa ideia permanece na nossa sociedade, como uma necessidade de ser mãe.

Qual sua motivação para maternidade?

Maria Tereza Maldonado, especialista em psicologia da gravidez, descreve no seu livro “Psicologia da Gravidez” que existem aspectos psicológicos conscientes e inconsistentes na decisão de ter um filho. Esse significado de ser mãe pode ser diferente para cada mulher. Algumas podem ter desejo inconsciente de dar um filho para sua mãe, pois essa mãe teve alguma perda, ou teve um falecimento de um bebê ao longo da sua maternidade. Ou de ser mãe para não ficar sozinha na velhice, ou de ser mãe porque todas suas amigas estão engravidando. E quando tenta engravidar, fica com medo de não conseguir realizar esse sonho, que pode não ser dela. Pode ser um sonho que ela idealizou a partir de um fragmento da história de vida de outras mães.

E quando chega esse bebê em casa, tem várias demandas. O bebê as vezes chora a noite toda, não consegue mamar, e com isso vem várias opiniões como: “seu leite não é suficiente… da mamadeira”, quando ela gostaria de amamentar com leite materno exclusivamente. E outros diversos aspectos que vem influenciar a vida dessa mãe, que a leva a pensar: “onde estava com a cabeça?” Esse é o tipo de crítica que te faz pensar que a maternidade assusta. Não sei se já aconteceu com você ou se conhece alguém que passou por essa situação.

Tem mães que pensam: “Eu tenho a sensação que não me contaram toda a verdade sobre maternidade quando eu estava grávida. Quando meu filho nasceu foi terrível, não tive todo apoio que eu pensei que teria, ele não dormia a noite toda como eu achava que ia dormir. Achava que ia conseguir amamentar sem dificuldades…” E com isso você acha que vai conseguir todas essas coisas instintivamente, e na prática vemos que não é assim. Ser mãe, amamentar, é um processo que é construído. A gente não nasce sabendo fazer essas coisas. E as vezes precisamos até de outros recursos para conseguir fazer essa maternidade de forma mais leve como uma consultoria em amamentação, um acompanhamento psicológico para auxiliar. Mas porque se faz necessário esse tipo de ajuda? Para acolher a agustia dessa mãe, ela chora porque dói.

Rotina nos primeiros meses, está preparada?

Essa mãe entra em uma rotina muito difícil, pois essa mãe passa a acordar várias vezes durante a noite, vem um cansaço muito grande. E as vezes, algumas pessoas que estão tentando ajudar veem essa mãe chorar e dizem: “Mas porque você está chorando? Seu filho é saudável, bonito…” E essa mãe sabe disso! Ela começa a se questionar o porquê dessa angústia. E na verdade se dá por esse cenário que ela não sabia direito o que ia acontecer. Muitas vezes o apoio que essa mãe tem são pessoas que não tem condições de compreender todos esses aspectos psicológicos. Então pode ser necessário o acompanhamento desse profissional para acolhimento dessas angústias, e ajudar essa mãe a elaborar essas vivências que a maternidade nos traz.

Preparando para suas escolhas

Um outro fator importante é se preparar para suas escolhas. Quando passamos por situações de filho chorar por não conseguir mamar o suficiente por exemplo, vem as opiniões: “Seu leite deve ser fraco…”, “dá um chazinho, tem problema não, antigamente a gente tomava chá, você mesmo tomou muito chá quando bebê e está vivo até hoje!”. Essas opiniões são divergentes com o aconselhamento médico que recebemos. Você acaba ficando angustiada porque queria seguir a orientação médica, mas se sente pressionada. Então por isso a importância do autoconhecimento e saber o que você realmente quer, como você vai querer cuidar do seu filho e se sentir bem por saber que está fazendo o melhor que pode pelo bem-estar dele e seu.

Hoje esse cenário está bem mais favorável, pois temos mais acesso à informações para decidirmos aquilo que funciona melhor e o que não funciona para cada realidade.

Outra coisa que a mãe tem que ter clareza, é que essa fase inicial vai passar e as coisas vão melhorando gradativamente. Se perguntarmos uma mãe de primeira viagem, se ela vai querer ter outro filho, na maioria das vezes ela responde: “de jeito nenhum!”. Mas com o passar do tempo, a rotina vai chegando a uma normalidade, as coisas vão se ajeitando e chega um momento que vem a saudade de ter um bebê. Nesse momento ela não acha mais que a maternidade assusta.

Quando você se sentir pressionada por alguém perguntando se quer ter outro filho, mesmo em pleno calor do puerpério, você pode dizer que ainda não teve tempo para pensar, que vai decidir isso para frente. Você não precisa se sentir forçada a responder uma pergunta que vai te pressionar e talvez até aumentar a sua angústia.

Com o crescimento do seu bebê, você terá tempo para refletir sobre sua primeira gravidez, avaliar o que poderia ter feito diferente e pensar em uma rede de apoio mais eficiente. Podemos observar que as mães de segunda viajem sempre dizem que a gravidez foi diferente da primeira, e a experiencia com o segundo filho também é diferente, exatamente pela experiência que o primeiro filho trouxe para essa mãe.  

Então para resumir, por que a maternidade assusta nesses primeiros meses de vida do bebê?

  • Cansaço
  • Noites mal dormidas
  • Choro intenso do bebê
  • Dificuldade da amamentação
  • Cólicas

Então temos que ter em mente que esse bebê sai da barriga, onde ele estava confortável, para enfrentar uma experiência totalmente nova com seu corpo fora do útero da mãe se adaptando a processos desde respiração à digestão, coisas que ele recebia tudo da mãe sem esforço.

E quando temos uma vida muito agitada ou até mesmo por dificuldades, o bebê percebe toda essa movimentação à volta dele, e isso acaba interferindo no comportamento.

Não se preocupe, você vai voltar a dormir a noite toda a medida que seu bebê vai se adaptando a essa nova vida. E você vai conseguir dias mais tranquilos e voltar a ter tempo para você.

Na rotina de mãe é muito comum vermos as mães dedicarem mais ao bebê e à casa e esquecer de cuidarem de si mesmas. Consiga uma pessoa que possa olhar seu bebê para que você possa tomar um banho mais demorado por exemplo, encontrar com as amigas ou ir ao salão para cuidar de si mesmas.

Não tenha medo de falar, de compartilhar com alguém de confiança suas angústias. Busque por pessoas que vão entender sua situação, que tenham experiencia e não e hesite em procurar ajuda profissional caso ache que a situação esteja muito difícil. Quando você fala, pode estar ajudando outras mulheres que não saibam por que a maternidade assusta.

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